"Protege o teu coração", um projeto completo para a educação sexual dos filhos

postado em 6 de jan de 2014 08:37 por Gabriel Ulian Briganó

Entrevista a Dora Porto, Diretora e representante do Protege o teu Coração no Brasil

Vinculado por ZENIT, conforme o link.

Brasília, 21 de Outubro de 2013 (Zenit.orgThácio Lincon Soares de Siqueira


  • Preocupados pela “formação sexual” que os seus filhos iriam receber, logo após o governo colombiano aprovar uma lei que obrigava a educação sexual em todas as instituições educativas em meados de 1992, o casal Maria Luisa e Juan Francisco criaram o projeto “Protege o teu coração” que atualmente se encontra em 15 países.
  • Em entrevista à ZENIT de Agosto desse ano, o casal expressou a sua preocupação “com que a sexualidade fosse reduzida a uma lista de doenças ou porcentagens sobre a gravidez” e viram com “clareza que a sexualidade tinha que ser educada” e decidiram “converter essa visão em oportunidade”.

    Protege o teu coração já se encontra funcionando no Brasil desde o ano 2005. As duas representantes são Carmen Silvia Porto e Dora Porto.

    Em entrevista a ZENIT, Dora Porto disse que “Ainda que uma grande maioria confunda sexualidade com sexo, entender a sexualidade como a vivência pessoal como homem e como mulher, em todas as nossas dimensões é o grande diferencial, dado que a maioria dos projetos de educação sexual limita-se a prevenir riscos e doenças”.

    O projeto não é um mero solucionador de problemas - disse Dora - "Os principais responsáveis pela educação dos filhos são os pais” e desde o início é importante se fundamentar “na parceria com os pais, dando também a eles ferramentas para ajudá-los nesta sua missão tão importante” de ensinar os filhos a “Ir em busca do amor verdadeiro”.

    Acompanhe abaixo a íntegra da entrevista com Dora Porto, Diretora e representante do Protege o teu Coração no Brasil.

    ***

    ZENIT: Como foi que o projeto Protege o seu coração chegou ao Brasil?

    Dora: O Programa Protege o teu coração, programa de educação da afetividade e da sexualidade, baseado na formação do caráter,  já atua há 20 anos na América Latina, América do Norte, Europa e Ásia. Teve início na Colômbia por iniciativa do casal María Luisa e Juan Francisco Veléz, que procuravam alternativas para formar seus filhos no campo da educação da sexualidade. A missão desse projeto é “Educar um caráter forte, para viver uma sexualidade inteligente”. O que buscamos com o programa é que os adolescentes sejam capazes de cultivar um amor verdadeiro, base de família estruturadas e felizes.

    Carmen Silvia Porto, e eu (Dora Porto – ambas diretoras e representantes do programa no Brasil)) estávamos buscando modos novos de ajudar as famílias na formação da personalidade do adolescente e concretamente, a compreender o sentido do amor e da sexualidade. Nesta época, acabávamos de formar-nos no Instituto de Ciências para la familia da Universidade de Navarra com o Máster em matrimonio e família. Fomos ao Congresso Internacional sobre educação da afetividade na cidade do México (2005) organizado pela Intermedia Consulting, que reuniu várias iniciativas que já existiam nesse campo da educação. Lá conhecemos o projeto Protege o teu Coração - PTC.  Não imaginávamos que um projeto como este já existia desde 1993. Caiu como uma luva, e a decisão de trazer o programa para o Brasil foi imediata.

    Conhecer os fundadores, Maria Luísa e Juan Francisco Veléz, foi fundamental. Sua convicção, segurança e entusiasmo criaram em nós uma vontade enorme de oferecer às famílias brasileiras uma proposta diferente, positiva, cheia de esperança. Meios? Não tínhamos. Marcamos uma data e nos pusemos a trabalhar para conseguir organizar um Seminário de Capacitação, o 1o. Seminário de Capacitação com os fundadores em São Paulo, e buscar um patrocínio para dar os primeiros passos. Isto aconteceu em setembro desse mesmo ano com a consequente aquisição do programa e o início dos trabalhos. Vimos a importância deste programa e que tinha vindo para ficar. Os fundadores já estiveram no Brasil mais duas vezes para capacitação e reciclagem dos moderadores.

    No início encontramos algumas resistências para a implantação nas escolas e começamos com grupos de adolescentes e pais nas casas de famílias. Pouco a pouco fomos conseguindo apresentar e implantar o programa em algumas escolas.

    ZENIT: Já está funcionando? Os pais brasileiros podem contar com essa ajuda para a educação dos seus filhos?

    Dora: Sim, o PTC está funcionando no Brasil, como afirmamos anteriormente, e está atualmente em fase de expansão em São Paulo, Campinas e Londrina.

    Começaremos o 2oPrograma de Capacitação para Moderadores - PCM em Londrina, Paraná. A capacitação dos moderadores é fundamental para o bom desempenho do programa nas escolas. Precisam estar muito bem preparados, ter um “superávit argumental” e um perfil assertivo, e isso exige uma profunda preparação, além de estágios práticos.

    Se os pais brasileiros podem contar com o programa? Na realidade, são precisamente os pais, aqueles que podem conseguir que o PTC atue na escola de seus filhos. Há uma preocupação bastante grande por parte dos educadores com relação ao tema da sexualidade e a direção das escolas está sempre atenta às reivindicações dos pais.

    O adolescente necessita do apoio dos amigos para tomar decisões e também como referência para o seu comportamento. Com a aplicação do programa nas escolas, seus amigos também são beneficiados com o mesmo aprendizado e sentem-se fortalecidos para juntos, ir em busca do amor verdadeiro.

    ZENIT: Com a educação sexual que o MEC dá nas escolas, o projeto pode ser uma solução eficaz para aqueles pais que estão preocupados com a situação?

    Dora: Claro. O PTC é um programa de Educação da Sexualidade, algo muito mais abrangente do que a educação sexual. Ainda que uma grande maioria confunda sexualidade com sexo, entender a sexualidade como a vivência pessoal como homem e como mulher, em todas as nossas dimensões é o grande diferencial, dado que a maioria dos projetos de educação sexual limita-se a prevenir riscos e doenças. Com uma sexualidade vivida com liberdade e inteligência, os adolescentes poderão comportar-se livre e responsavelmente e formar famílias sólidas e estruturadas no futuro.

    O programa é na sua totalidade, positivo, afirmativo. Nada se impõe, mas propomos uma conduta inteligente aos jovens e lhes ajudamos a adquirir habilidades para vencer algumas carências que lhe são próprias.

    É aplicado preferencialmente nas escolas, e atua de forma gradual, oferecendo 3 sessões por ano aos alunos e uma ou duas sessões para os pais. O programa não é um “solucionador de problemas”, mas um processo de conscientização da sexualidade, de fortalecimento do caráter para viver a sexualidade com inteligência. Parte do princípio que os principais responsáveis pela educação dos filhos são os pais e por isto apóia-se desde o início na parceria com os pais, dando também a eles ferramentas para ajudá-los nesta sua missão tão importante.

    Através da metodologia empregada (sessões expositivas, vídeos e dinâmicas em sala de aula), ajudamos a que se conheçam melhor através da ferramenta das 5 dimensões; que percebam as pressões que sofrem dos amigos, da mídia e como lidar positivamente com elas; que identifiquem suas emoções, para poder governá-las com inteligência; que alcancem um autodomínio indispensável para atuar junto às novas tecnologias; que valorizem a vida humana; que aprendam a viver um amor verdadeiro; que valorizem a sua família como um espaço fundamental para o seu crescimento.

    O programa reforça a confiança nos pais, nos educadores e oferece aos adolescentes a possibilidade de ser protagonistas de suas escolhas. Ninguém é forçado a pensar e agir de uma forma determinada, pois nada se impõe, apenas se propõe. Se o adolescente quiser e puser o esforço necessário para adquirir as habilidades fortalecerá o seu caráter e poderá dedicar-se ao que realmente é importante nessa fase: cultivar amizades, estudar, preparar-se para a Universidade, para uma carreira profissional e para a construção de uma família fundada sobre um amor verdadeiro.

    ZENIT: Poderia contar-nos alguma experiência positiva do projeto aqui no Brasil?

    Dora: Nossa experiência com os adolescentes tem sido, em geral, muito positiva. Costumo dizer que “gosto muito” dos adolescentes. Estão numa fase importantíssima da vida, mas muitas vezes o que acontece é que não falam sobre suas dúvidas e inquietações a não ser com outros adolescentes. Buscam informações na internet, muitas vezes de forma inadequada. É muito comum confundirem amor com sexo o que os leva a buscar o prazer imediato, sem pensar nas conseqüências. Nos seminários para professores e pais, além das sessões com os adolescentes nos deparamos com todo tipo de situações, (gravidez na adolescência, aborto, problemas de relacionamento com a família, uso de drogas, adição a vídeo games e internet, sexting ( envio de fotos íntimas pela internet) entre outras. Não se ensina os jovens a amar! Verificamos que, quando lhes ajudamos a refletir e lhes damos as ferramentas necessárias, são capazes de escolher um novo modo de se comportar e abrem-se para o amor e para os ideais próprios da juventude.

    Percebemos, no contato com os pais, que não se omitem por negligência, mas por despreparo. Quando percebem que falar sobre sexualidade é algo maravilhoso, que envolve toda a pessoa e não só a dimensão física, sentem-se imediatamente mais aptos a iniciar uma conversa sincera com os filhos.

    Há alguns exercícios do programa que facilitam o dialogo entre pais e filhos. Não é raro ouvir frases como: comecei a conversar com meus pais sobre assuntos que nunca havia falado antes.

    Também os professores, sentiram-se apoiados, pois é comum que os pais deleguem à escola a função de conversar sobre a sexualidade e, segundo eles, nem sempre estão capacitados.

    Um aluno do 2oano do Ensino Médio nos chamou especialmente a atenção. Apresentava problemas de comportamento depois da morte da mãe e preocupava bastante o pai e as orientadoras da escola Na primeira sessão falou muito pouco e estava bastante ressabiado. Mas com o decorrer das outras sessões foi se soltando, e passou a ter uma participação intensa. Na sua avaliação final ( os alunos avaliam cada sessão por escrito) escreveu: “Este programa é muito forte. Ensina o jovem a dizer que não a tantas pressões que sofrem. Acho que deveria ser aplicado em todas as escolas”.

    Outra adolescente, depois de uma sessão sobre as pressões, entendeu que nas “baladas” estava sendo pressionada a beber e disse que agora, se as pessoas insistissem para que bebesse iria chamar o segurança!

    ZENIT: Qual é o caminho que devem percorrer os pais do Brasil que estejam interessados no projeto?

    Dora: Sugerimos que entrem no site brasileiro www.protegeteucoracao.com.br e também no site internacional www.protegetucorazon.com para conhecerem um pouco mais sobre o programa.

    Aqueles que tenham interesse que o programa chegue às escolas de seus filhos podem entrar em contato conosco pelos emails: contato@protegeteucoracao

Entrevista com Fundadores do PTC - Publicado por ZENIT

postado em 26 de ago de 2013 05:44 por Gabriel Ulian Briganó   [ 26 de ago de 2013 05:54 atualizado‎(s)‎ ]

O Portal de Notícias ZENIT (http://www.zenit.org/pt) publicou entre os dias 19 e 22 de agosto uma entrevista com os fundadores do programa Protege Tu Corazon (Protege Teu Coração), Juan Francisco e Maria Luisa. 

"Protege o seu coração", um projeto completo para a educação sexual dos filhos

Entrevista com Maria Luisa e Juan Francisco, fundadores e diretores internacionais de PTC 

Brasília, 19 de Agosto de 2013 (Zenit.orgThácio Lincon Soares de Siqueira | 596 visitas

Sexualidade e formação dos filhos: como fazer para educá-los hoje? Eis aí algo que preocupa muitos pais hoje em dia. E não sem motivo, já que cresce o número de países aprovando leis que obrigam as escolas a darem “educação sexual” para as crianças e adolescentes. O que fazer? Como atuar? O que será melhor: esperar que o governo eduque os próprios filhos na sexualidade ou ser protagonistas dessa formação?

“Protege tu corazón” é um “projeto que nasceu de uma necessidade de dar razões às crianças, adolescentes e jovens... Razões do porquê integrar a sexualidade na formação é muito importante”, afirmou Maria Luisa, fundadora e diretora do projeto “Protege o seu coração”, em entrevista exclusiva a ZENIT.

Quando em 1992 foi aprovada na Colômbia uma lei que obrigava a educação sexual em todas as instituições educativas, baseada no ponto de vista do “sexo seguro” que auspiciava o modelo de redução de riscos, o casal Maria Luisa e João Francisco, perceberam que os seus filhos estavam entrando na adolescencia e para não ficarem só esperando a formação que o governo passaria para as suas crianças, resolveram empreender uma obra que hoje já está em 15 países.

O casal Maria Luisa e Juan Francisco moram hoje em Monterrey, México, e juntos idealizaram e fundaram o programa de formação sexual “Protege o teu coração” (www.protegetucorazon.com). O site em português é esse: www.protegetucorazon.com.br

“Vimos com clareza que a sexualidade tinha que ser educada e decidimos converter essa visão em oportunidade. Colocamos o propósito de propô-la de forma atrativa, com sentido positivo e não como um problema, abarcando toda a pessoa e não exclusivamente o seu aparelho reprodutor”, disse Maria Luisa.

Acompanhe a entrevista abaixo, que será publicada em partes ao longo dessa semana.


Parte 1 


ZENIT: Como nasceu o projeto “Protege o teu coração” e do que se trata?

Maria Luisa: O projeto nasceu de uma necessidade de dar razões às crianças, adolescentes e jovens ... Razões do porquê integrar a sexualidade na formação é muito importante.

O projeto nasceu por dois motivos. Em primeiro lugar, os nossos filhos mais velhos começavam a adolescência e os filhos das pessoas ao nosso redor também. Em segundo lugar, uma lei aprovada na Colômbia em meados de 92, obrigava a educação sexual em todas as instituições educativas, baseada na abordagem do "sexo seguro" que auspiciava o modelo de redução de riscos.

Estávamos preocupados com que a sexualidade fosse reduzida a uma lista de doenças ou porcentagens sobre a gravidez. Que o remédio se concentrasse exclusivamente no biológico, deixando de lado a sua estreita relação com outros elementos da personalidade como o social, o intelectual e o afetivo. Evitar uma gravidez ou se livrar de uma infecção não garante que o beneficiado se faça mais sociável, empático, assertivo, amigo, lide com suas emoções, em poucas palavras, que tenha bem equipado o seu coração para o amor... Vimos com clareza que a sexualidade tinha que ser educada e decidimos converter essa visão em oportunidade. Colocamos como meta propô-la de forma atrativa, com sentido positivo e não como um problema, abarcando toda a pessoa e não exclusivamente o seu aparelho reprodutor.

ZENIT: Por que é importante dar razões?

Maria Luisa: A educação é parte essencial do processo de realização de uma pessoa e tem que ter em conta estes quatro elementos:

Exigir: Ter em vista um objetivo apoiado em valores e normas.

Informar: Dar razões que levem a compreender o objetivo.

Incentivar: Fazer que o objetivo seja desejável, para o qual é necessário motivar, ou corrigir ou elogiar segundo cada caso.

Dar um exemplo: Ir à frente mostrando o caminho.

A educação da sexualidade deve incluir todos estes aspectos e não apenas o dar razões. Pais e professores devem aprender a "vender" ideais como algo atraente, a "quebrar-se a cabeça" para argumentar porque um comportamento é mais humano, e portanto bom e melhor do que outro. A fomentar o desejo de que filhos e alunos sejam melhores e esforçar-se eles mesmos para serem melhores – com as limitações próprias de seres humanos – para encarnar um modelo que seja atrativo.

Infelizmente, o ambiente não ajuda muito nesse aspecto, porque a cultura contemporânea, com a mídia e as leis que a formam, vão na contramão de muitos ideais. Isto implica uma outra qualidade nos educadores: a de conhecer bem o ambiente e ensinar a “filtrar” as suas mensagens com realismo.

Muitas pessoas padecem hoje uma espécie de “síndrome sentimental”: se gosto disso, deve ser bom; se isso me atrai, então vale a pena; se aquilo não é emocionante, deve ser descartado... É muito difícil para os sentimentos, que são muito bons e necessários, captar as realidades da vida com nitidez. Confiar unicamente neles é arriscado porque são limitados para guiar-nos no caminho da vida. A inteligência, pelo contrário, possui maior capacidade de captar com lucidez se algo é bom, ou vale a pena, ou deve ser descartado... em cada sessão de “Protege o seu coração”, convida-se a pensar para gerar descobertas sobre a própria realidade e reunir elementos de juízo que conduzam a decisões ótimas. Deste modo contribuímos para aliviar essa dolorosa “síndrome” contemporânea.

ZENIT: Quando os jovens entendem, conseguem formar-se?

Maria Luisa: As ideias claras são o ponto de partida. A informação oportuna, veraz e precisa ajuda para captar o sentido que tem a sexualidade humana: a vida e o amor.

Transmitir a vida não só exige a fusão de umas células, exige muita atenção, contínuos cuidados, renúncia, fortaleza, generosidade, para que o novo ser faça-se capaz com o tempo, de responder por si mesmo ao seu próprio destino. E o amor em ação, que vem acompanhado dos sentimentos, deve ir além dos momentos de êxtase. Requer buscar realmente o bem dos demais como caminho para a própria felicidade, ou seja, colocar-se em atitude de serviço: acompanhar, escutar, compreender, desculpar, ceder..., um conjunto de qualidades que devem ser desenvolvidas para que a sexualidade contribua para a felicidade que buscamos.

No entanto, entender as coisas é apenas uma parte da formação. Crer que informar é formar, seria platônico.

Ninguém pode viver bem a sexualidade humana se não conta com o apoio dessas qualidades, buscadas voluntariamente e conseguidas com esforço. Como é algo que se consegue quando se quer, ninguém pode fazê-lo por outro, é uma tarefa intransferível, muito pessoal, exige passar das ideias para os atos, passar desse estar informando-se ao estar formando-se. A formação se consegue com ações repetidas uma e outra vez que vão sendo transformadas aos poucos em hábitos, sinônimo de virtudes, ou seja, de bom caráter: integridade, respeito, responsabilidade, auto-controle, otimismo, fortaleza, moderação, austeridade, alegria, prudência, coerência e amor. Este é o objetivo de Protege o seu coração.

O programa inclui pais e professores para que acompanhem os seus filhos e alunos nessa tarefa. Conectando, guiando e influenciando-os pacientemente para incutir os traços de bom caráter que é proposto no programa já mencionado.

Além disso, o programa está estruturado para ser aplicado a longo prazo. Não são conferências isoladas, nem palestras, nem oficinas isoladas com o fim de preencher uma necessidade momentânea, como por exemplo falar às crianças das mudanças físicas na puberdade e depois deixá-las sozinhas. Lidamos com mais de 35 temas apropriados à cada idade, estreitamente relacionados com as suas experiências, ministrados dentro de um plano de continuidade.

Por exemplo, um aluno de 7 anos recebe a sua primeira sessão. Durante o colegial, o ensino médio e a universidade continua recebendo dois ou três temas por ano até completar o plano previsto. Os temas nunca se repetem. São diferentes para cada idade. Há conceitos-chave ou ideias-mãe que são o fio condutor de todo o programa: as cinco dimensões, a  assertividade, a auto-estima, o auto-conhecimento, o valor da pessoa, a sexualidade como elemento fundamental da personalidade.

Uma menina ao terminar seu último ano de faculdade disse: "PTC veio a mim com os temas que eu precisava em cada etapa da minha vida. Muito obrigado”

(19 de Agosto de 2013) © Innovative Media Inc.



Parte 2 

Brasília, 20 de Agosto de 2013 (Zenit.orgThácio Lincon Soares de Siqueira | 379 visitas

Começamos a publicar ontem, 19, a conversa que ZENIT teve com Maria Luisa e Juan Francisco, idealizadores, fundadores e atualmente os diretores internacionais do projeto “Protege o seu coração” - www.protegetucorazon.com, projeto presente em 15 países - inclusive o Brasil e Portugal - e que promove uma formação integral da sexualidade tanto para crianças, quanto para adolescentes e jovens.

Na primeira parte (que pode ser lida clicando aqui), Maria Luisa mostrou os motivos que levaram à criação desse projeto, o porquê de dar razões aos jovens e adolescentes e a necessidade de ter presente toda a pessoa humana na hora de propor positivamente a formação da sexualidade.

Hoje publicamos algumas respostas do seu esposo, Juan Francisco. “No tema das relaxões sexuais, o “Sexo Seguro” adverte aos adolescentes sobre as possíveis consequências físicas, mas nada sobre os efeitos emocionais, sociais, ou racionais.”, disse nessa entrevista Juan Francisco.

“Uma idéia que transmitimos aos adolescentes é que ainda que se chegasse a inventar um preservativo cem por cento seguro contra doenças e gravidezes, que atualmente não existe..., nunca poderemos fabricar um preservativo que proteja o coração das marcas do sexo casual, sem compromisso. A única segurança é um bom caráter!”, afirmou também Juan Francisco.

Acompanhe abaixo a segunda etapa dessa conversa com os fundadores do projeto “Protege o seu coração”.


ZENIT: Só com a razão é possível vencer a batalha da proteção do próprio coração?

Juan Francisco: O uso das tecnologias, o cinema, a televisão e a música contribuem para a contaminação do coração. Propomos a eles que cuidem tudo aquilo que vêem ou que ouvem porque o que entra na mente fica tatuado e vai modelando o seu comportamento. Do coração saem as palavras, os desejos, as ações. Deste modo fazemos o convite para que desenvolvam um "filtro interior" para proteger o seu coração.

Consideramos casa sessão como se fosse a única oportunidade de gerar atitudes de mudança. Seu desenvolvimento está cuidadosamente planejado para que o aprendizado venha por meio de vários canais intelectuais e sensoriais: pensar, ouvir, escrever, ver + ouvir, ler, fazer, mover-se, discutir, descubrir..., a fim de otimizar a retenção e também a diversão. Nós competimos com o fascínio das telinhas que estão ao alcance de qualquer aluno e não podemos estar em desvantagem a fim de influenciá-los.

Com esses recursos pedagógicos, esperamos que os alunos saiam das nossas sessões com um alto nível de disposição para "seguir em frente" na conquista do bom caráter que nós propomos. Fora da sala de aula, a tarefa que eles têem é de passar voluntariamente à ação na sua vida cotidiana. Buscamos que os adolescentes tenham o prazer de conhecer-se e valorizar-se, de experimentar a alegria de encontrar um lugar na vida, o gozo interior de pensar e descobrir a sua missão, de ser capazes de desenhar um projeto de vida, de viver um namoro sincero e afrontar a aventura do amor verdadeiro com mentalidade de vitória.

ZENIT: Por que esse nome: "protege o seu coração?"

Juan Francisco: Se o coração é o centro da dimensão emocional ou da afetividade de uma pessoa, e com as 5 dimensões (física, social, emocional, racional, transcendente), o coração constitui uma parte substancial de todas elas, ou seja, de toda a pessoa, o que é armazenado no coração, necessariamente se manifesta no que fazemos, nas outras dimensões. Uma vez que o coração é a fonte de onde brotam as motivações, os ideais, os grandes ideais..., se se deixa contaminar o coração, toda a pessoa é contaminada. E, portanto, a sexualidade, que tem a ver com tudo o que somos como homens ou mulheres.

No tema das relaxões sexuais o “sexo seguro” adverte os adolescentes sobre as possíveis consequências físicas, mas nada sobre os efeitos emocionais, sociais, ou racionais. O arrependimento, o sentir-se usado, o medo ao compromisso, os ciúmes, o isolamento, o vazio, a incapacidade de construir relações positivas, etc., são consequências que ferem profundamente o seu coração. Para evitá-las, PTC os ajuda a proteger o coração. Como? Explica-lhes o "know how" de habilidades que são muito úteis para a vida: integrar as dimensões da pessoa, tratar adequadamente as emoções particularmente difíceis, construir a auto-estima, tomar boas decisões, ser assertivo na comunicação, defender valores e metas aprendendo a resistir às pressões negativas, desenvolver um filtro interior no uso da tecnologia, conseguir o auto-controle otimista das emoções sexuais por amor. Estas habilidades são propostas num determinado momento de cada sessão, logo após de que os alunos tenham descoberto por si mesmos a carência típica que cada sessão trata. A proposta vem a calhar, porque ao fazer-se conscientes dessa carência, desejam superá-la com entusiasmo. Seu coração já está aberto para ser protegido ou descontaminado.

Uma idéia que transmitimos aos adolescentes é que ainda que se chegasse a inventar um preservativo cem por cento seguro contra doenças e gravidezes, que atualmente não existe..., nunca poderemos fabricar um preservativo que proteja o coração das marcas do sexo casual, sem compromisso. A única segurança é um bom caráter!

 ZENIT: E o que vocês propõem para os jovens e adolescentes que já experimentaram de tudo na vida?

Juan Francisco: Na verdade, os adolescentes ainda não experimentaram tudo. Às vezes é mais o barulho que se faz do negativo. Somos conscientes de que muitos nas nossas aulas traz o coração aos pedaços. Para eles existe uma saída: recomeçar. Sempre é possível voltar a começar. É uma das vantagens de ser humanos. Você pode decidir mudar e optar por uma nova meta, ainda que seja difícil. Aí se faz mais necessário perdoar-se a si mesmos e o apoio dos pais. Temos uma sessão na qual se descrevem 12 passos para chegar lá.

(20 de Agosto de 2013) © Innovative Media Inc.



Parte 3

Disponível em: http://www.zenit.org/pt/articles/protege-o-seu-coracao-um-projeto-completo-para-a-educacao-sexual-dos-filhos--3

Brasília, 21 de Agosto de 2013 (Zenit.orgThácio Lincon Soares de Siqueira | 430 visitas

“Propor ideais exigentes da forma mais atrativa possível” é o objetivo do Projeto “Protege o seu coração” (PTC).

PTC já ofereceu formação a cerca de 800 escolas em 15 países, formando pais e filhos numa equilibrada formação da sexualidade, tendo como pano de fundo uma verdadeira antropologia cristã.

“Os adolescentes de hoje não são totalmente livres para tomar decisões porque só mostram para eles uma cara da moeda: sensualidade e “sexo seguro”, disse Maria Luisa a ZENIT.

"Protege o seu coração" chega à todo tipo de pessoas, não somente católicos. Propor a virtude da pureza de forma positiva, não impositiva, dialogada e propositiva, é uma arte não tão difícil de se realizar, e que Maria Luisa e Juan Francisco, desde o início do projeto, há 20 anos, tomaram como desafio pessoal, como pode-se ler na continuação da entrevista abaixo.

Acompanhe abaixo a terceira parte da entrevista que ZENIT fez a Maria Luisa e Juan Francisco, idealizadores, fundadores e atuais diretores internacionais de PTC.


ZENIT: Quantas crianças vocês já conseguiram transformar com esse projeto?

Maria Luisa: Não é fácil medir a mudança de comportamento em assuntos tão íntimos como a vivência da sexualidade, mas se medimos a mudança de atitude poderíamos dizer que 75% das pessoas que frequentam nossas oficinas ou sessões mudam de atitude, ou pelo menos recebem uma “sacudida” de alguma forma.

Os adolescentes de hoje não são totalmente livres para tomar decisões porque só mostram para eles uma cara da moeda: sensualidade e “sexo seguro”. Se queremos adolescentes que vivam uma sexualidade inteligente é preciso mostrar-lhes também a outra cara: o bom caráter, o valor da espera, o autocontrole das emoções sexuais, o triunfo do amor. Nossa experiência é que muitos aceitam este desafio. Um adolescente prestes a se formar nos escreveu recentemente pelo Facebook: "Vocês me ensinaram uma das coisas mais importantes da vida, me ensinaram a amar”. Outro, recém-formado, nos disse: "Eu ficava perto ou na borda do precipício ... Vocês me ensinaram a me distanciar!"

Os principais parceiros nessa empreitada são os pais. São o nosso principal foco de atenção, porque são os protagonistas deste processo educativo tão sensível. No PTC oferecemos mais conteúdo para os pais do que para os alunos. Ajudamos os pais a se conectarem com os seus filhos, algo essencial para que possam ter uma influência positiva; lhes fazemos conhecer o tão distante mundo adolescente; sugerimos exercer uma autoridade que combine disciplina com afeto. Em suma, fornecemos ferramentas pedagógicas práticas de aplicação imediata. A cada dia fica mais claro que os filhos aceitam positivamente a influência dos valores e expectativas dos pais.

ZENIT: Qual é o papel da espiritualidade na educação sexual das crianças e adolescentes. É importante que a criança esteja em vida de graça?

Maria Luisa: O esforço para conquistar um bom caráter é possível entre pagãos e cristãos. Porém, para um cristão é muito mais fácil, porque se deixa que o Espírito Santo inabite na sua alma em graça, recebe todos os seus frutos: alegria, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade, mansidão, longanimidade (persistência), benignidade (cordialidade), domínio de si (autocontrole), gozo, paz, amor. Podemos dizer que todos esses frutos coincidem com os traços de caráter que qualquer pessoa deseje cultivar. Se o Espírito Santo se “desconecta” da alma por causa de uma grave ofensa, a misericórdia de Deus torna possível a "reconexão" imediata através da Confissão para que atue de novo o poder da sua Graça.

Quando atendemos escolas católicas, os alunos são convidados a pedir ajuda à Graça, como alguém que sendo filho de um pai muito rico, pede-lhe apoio e conselho para  levar adiante as suas iniciativas. E um bom pai não negaria. Porque todos os homens somos filhos de um Pai amoroso que nos prometeu: “Eu estarei convosco sempre”. Não acudir a Ele seria tolisse.

ZENIT: E quando a criança não é católica e nem mesmo cristã, como é que vocês fazem para apresentar a virtude da pureza?

Maria Luisa: Desde que começamos o programa, decidimos oferecê-lo a todos os tipos de escolas. A maioria das cerca de 800 escolas que foram atendidas nestes primeiros 20 anos não são católicas, ou com uma linha religiosa. No entanto, a substância do conteúdo é baseada na antropologia mais completa que é a cristã, apoiada por outras ciências como a psicologia, a medicina e a pedagogia.

Desde o começo estávamos conscientes de que a tarefa não seria fácil, mas estávamos determinados a propor ideais exigentes da forma mais atrativa possível e isso nos deu muita força. Além disso, traçamos um perfil muito específico na escolha dos futuros instrutores e estabelecemos uns princípios para aplicar na aula que até hoje são vividos. Criar sempre uma atmosfera de liberdade, ouvir tudo sem escandalizar-nos, incentivar para que hajam objeções sem armar controvérsias, respeitar qualquer opinião, esclarecer ideias sem censurar ninguém, propor sem impor. Este último nos deu especial confiança para falar, porque nos livramos do pesado fardo de ter que convencer, preferindo propor, que tem mais afinidade com o dialogar.

Acreditamos que este estilo particular permitiu que o programa seja bem recebido por alunos e pais que não praticam nenhuma religião ou não receberam nenhuma formação religiosa. No caso de alunos que receberam esta formação, os conteúdos do programa lhes dá novas luzes, para compreender as verdades doutrinais sobre a pureza e outros aspectos. Constatamos com frequência através de comentários muito espontâneos como esse: “Finalmente entendi porque a Igreja ensina isso, ou nos pede para vivermos assim...” Sem distinção alguma entre uns colégios e outros definimos a pureza como “o autocontrole otimista das emoções sexuais, por amor”

(21 de Agosto de 2013) © Innovative Media Inc.



Parte 4 

Disponível em: http://www.zenit.org/pt/articles/protege-o-seu-coracao-um-projeto-completo-para-a-educacao-sexual-dos-filhos--4

Brasília, 22 de Agosto de 2013 (Zenit.orgThácio Lincon Soares de Siqueira | 235 visitas

Ao longo dessa semana estivemos publicando por partes a entrevista que Maria Luisa e Juan Francisco, fundadores de Protege tu corazón, concederam exclusivamente a ZENIT.

O projeto "Protege o seu coração" já conta com uma versão básica do site no Brasil www.protegetucorazon.com.br e, como revelou o casal na entrevista, o material já está traduzido para o português, só esperando um patrocínio para a impressão.

Embora muitos cheguem a pensar que a guerra da formação da sexualidade esteja perdida, “Venceremos a batalha. Gostamos de pensar que é possível. Acreditamos no triunfo do Amor e que não estamos sozinhos, a maioria dos pais quer isso para seus filhos, e além do mais estamos com Deus”, disse nessa última parte da entrevista, Maria Luisa.

Acompanhe a seguir a quarta e última parte:


ZENIT: Pode-se ler no site em espanhol (www.protegetucorazon.com) os temas das várias sessões que oferecem ao jovens, crianças, pais de família, professores... Vocês tem materiais impressos? Também em outros idiomas?

Juan Francisco: PTC está traduzido do espanhol para o Inglês, Italiano e Português. Tanto os módulos para adolescentes como as oficinas para os pais e professores. Mas este material é entregue quando se faz um acordo de uso com a equipe de pessoas responsáveis ​​pelo programa em cada país.

Temos dois livros publicados sobre as mudanças da puberdade e os desafios do crescimento, um dirigido a meninos e outro a meninas de 8 a 13 anos. Estão pensados para que primeiro sejam lidos pelos pais e depois compartilhados com seus filhos. E quando acharem oportuno que seja lido pelas mesmas crianças. Estes livros já estão traduzidos para o português, mas falta o patrocínio para a sua publicação. A versão em espanhol já tem mais de 8 edições. Estamos preparando mais material para publicar porque é uma grande necessidade e os pais nos pedem constantemente.

ZENIT: Quem é que ajudou a criar esse material?

Juan Francisco: Desde o início nós criamos um grupo interdisciplinar formado por uma psicóloga, um médico, uma enfermeira, uma assistente social, um engenheiro e uma comunicadora. Alguns deles também educadores familiares.

ZENIT: Como um pai de famíla de língua Portuguesa, seja no Brasil, Portugal, África ou Ásia, pode começar a fazer parte deste projeto e levá-lo para sua cidade e país?

Juan Francisco: Podem entrar em contato conosco por meio de info@protegetucorazon.com e enviamos a explicação de como podem implementar o projeto. Então programamos um seminário presencial de capacitação como o que acabamos de realizar no Porto, e há um ano em Viseu. Podemos chegar aonde formos chamados.

ZENIT: Qual é o plano para 2013?

Juan Francisco: Celebrar os 20 anos do programa, e continuar crescendo para alcançar milhares de pais e jovens.

ZENIT: Em definitiva, proteger o próprio coração, é uma tarefa difícil hoje. No Brasil também existe todo um plano do governo para a educação sexual  verdadeiramente vergonhoso. Vocês sentem que é possível vencer esta batalha nas vidas dos adolescentes de hoje? Ou podemos considerar esta guerra como perdida?

Maria Luisa: A nível de governo é difícil, porque existem muitas pressões internacionais, criadas como resultado de interesses econômicos ou ideológicos. É evidente que existem dois modelos opostos: o da redução de riscos e o da eliminação de riscos.

O primeiro centra-se na redução das gravidezes e doenças promovendo o uso do preservativo. Tem grandes orçamentos fornecidos por governos e fundações privadas. Os resultados não o favorecem porque a partir dos anos 80, década que começou a ser distribuído em massa, o percentual de casos de gravidez e de DSTs não parou de crescer. Suécia, pioneira na aplicação deste modelo nos dias de hoje ganhou as manchetes devido ao aumento de doenças como a gonorréia entre jovens e homens homossexuais. O número de casos notificados cresceu 16% entre o 2011 e o 2012, de acordo com o Instituto Sueco para Controle de Doenças Transmissíveis.

Na verdade, este modelo acaba por promover a atividade sexual por causa da falsa segurança que inspira entre os usuários de preservativos, com o qual cria um novo e poderoso risco: a mesma atividade sexual. Por outro lado, não educa, apenas instrui. Basicamente, vê corpos e não pessoas.

O segundo centra-se na eliminação de todos os riscos e promove a educação da sexualidade porque  principalmente vê pessoas não corpos e os resultados sim o favorecem. Um exemplo claro é a Uganda com a implantação do Programa ABC que teve uma redução significativa na incidência do SIDA. Algumas fontes colocam a redução em um 30% no início dos anos 90 até um 6% até o final do 2003. Sob este modelo atuam muitas iniciativas: programas de abstinência, programas de educação da fertilidade, e programas de educação do caráter e da sexualidade como “Protege o seu coração”.

Somos muito otimistas de que o segundo modelo triunfará. É o que aborda toda a pessoa e associa a sexualidade com a vida e o amor. Tudo o que não está centrado na pessoa acaba fracassando. A história nos dá exemplos claros de que as civilizações que foram prósperas, com culturas florescentes, conseguiram isso por causa do bom caráter de seu povo. As que perdem essa visão, acabam caindo por conta própria.

Venceremos a batalha. Gostamos de pensar que é possível. Acreditamos no triunfo do Amor e que não estamos sozinhos, a maioria 

(22 de Agosto de 2013) © Innovative Media Inc.

A Verdade atrai e contagia

postado em 18 de nov de 2010 15:32 por Gabriel Ulian Briganó   [ 1 de jul de 2011 13:06 atualizado‎(s)‎ ]

Por Dora Porto.

Realizamos há pouco no Colégio Ranieri em S Paulo, algumas sessões do programa Protege tu Corazón para um grupo de alunos do 2o e 3o do Ensino Médio.

Sinceramente, visto que iriam entrar em contato com o programa pela primeira vez, não tinhamos uma expectativa muito alta.

Um grupo relativamente pequeno,  meninos e meninas com idade variadas entre 15 e 18 anos, nos revelaram coisas fantásticas.

Nossa meta era chegar a contagiá-los com a verdade sobre a sexualidade e o amor, e fazê-los refletir sobre suas próprias vidas e seus sonhos e tudo o que poderia obstruir essa caminhada.


Foram 3 sessões de 2 horas cada, que foram num crescendo, de interesse, entusiasmo e participação.

No primeiro dia , ainda um pouco desconfiados, os alunos nos olhavam com um semblante notadamente interrogativo. O que será que essas pessoas vieram fazer aqui?

Já na segunda sessão, mesmo com a ausência de alguns, foi- se criando um clima de muita amizade, de carinho verdadeiro, de respeito,de confianca, inacreditável.Afinal aquela turma estava apenas nos conhecendo! 

Fomos , através de muitas atividades, levando-os a pensar e constatar o quanto ainda não nos conhecemos, as pressões que todos sofremos: do grupo, da sociedade dos amigos, também  as pressões positivas que recebemos dos pais, da família, dos professores, etc.

Foi gratificante perceber a alegria que sentiam quando notavam as pressões pelas quais passavam e como poderiam defender-se com atitudes assertivas, criativas e inteligentes. 

Pudemos constatar que a Verdade realmente contagia!
Nas avaliações escreveram o que sentiram: sentiram-se respeitados, com liberdade para falar, ajudados a refletir.

Acharam as sessões claras e esclarecedoras, e se supreenderam com os conceitos de amor, sexualidade, tão diferente das mensagens que costumam ouvir.

Na ultima sessão, o tema tocava num terreno que para muitos é terreno minado:sexo antes do casamento, sim ou não?


Divididos em pequenos grupos, os jovens foram relacionando as possiveis consequencias de um relacionamento sexual precoce.

Foram eles mesmos que afirmaram as consequencias que nem sempre são levadas em consideração: as consequencias emocionais, como o arrependimento, a tristeza, assim como também  as consequencias na dimensão racional como o atraso ou adiamento dos estudos, .....
Através de dramatizações pudemos verificar como os jovens são capazes de pensar além dos seus instintos mais primários. Quando são levados a pensar reagem de uma forma surpreendente!

Será que todos vão mudar de conduta no que di respeito a vivência sexual? Estamos certo que não. Porém  de uma coisa estamos bem convictos: esses jovens nunca mais serão os mesmos pois foram contagiados pela beleza da Verdade e do Amor!


Fantástico! 

Máquina de preservativos

postado em 23 de set de 2010 11:00 por Gabriel Ulian Briganó   [ 1 de jul de 2011 13:07 atualizado‎(s)‎ ]

20/09/2010 0:00h 

  Carlos Alberto di Franco - O Estado de S.Paulo
Matéria publicada no dia 20 de Setembro de 2010 no Jornal O Estado de São Paulo.

A grande incidência de adolescentes contaminados pelo vírus HIV motivou o Ministério da Saúde a partir para a distribuição de preservativos diretamente nas escolas. Para facilitar o acesso estão sendo testadas máquinas que põem o produto à disposição automaticamente. Municípios dos Estados da Paraíba e de Santa Catarina foram escolhidos para testar e aprimorar o equipamento. O objetivo estratégico é ambicioso: instalar as máquinas em todo o sistema público de ensino. Destinatários: jovens entre 13 e 19 anos. Surpreende a precocidade do público-alvo inicial.

Máquina do bem ou do mal? O debate está aberto. Com razão. O avanço da aids, não obstante as campanhas milionárias em favor da camisinha, indica que algo não está funcionando. Esse aumento, sem dúvida preocupante, pode levar, mais uma vez, aos diagnósticos superficiais e, por isso, míopes: focar a questão apenas nas campanhas em favor do chamado "sexo seguro". A camisinha será a panaceia para conter a epidemia. Continuaremos padecendo da síndrome do avestruz. Bateremos nos efeitos, mas fugiremos das verdadeiras causas: a hipersexualização da sociedade.

Na verdade, caro leitor, as campanhas do governo não têm dado resposta adequada ao verdadeiro problema: a influência do gigantesco negócio do sexo, que, impunemente, acaba determinando comportamentos e atitudes. A culpa não é só do mundo do entretenimento. É de todos nós - governantes, jornalistas, formadores de opinião e pais de família -, que, num exercício de anticidadania, aceitamos que o País seja definido mundo afora como o paraíso do sexo fácil, barato, descartável. O governo, assustado com o aumento da gravidez precoce e com o crescente descaso dos usuários do preservativo, investe agora na máquina de camisinha. Não vai resolver. Afinal, milhões de reais já foram gastos num inglório combate aos efeitos. E o resultado está gritando na força dos fatos e dos números: a aids continua sendo um problema de saúde pública.

Impõe-se buscar soluções inovadoras e eficazes. Sempre intuí a necessidade de um aprofundamento sério no tema da formação da sexualidade. Em meu esforço de apuração, topei com uma experiência surpreendente: o programa denominado Protege tu Corazón. A história começa em 1993, na Colômbia. Tal como a grande maioria dos pais, Juan Francisco e Maria Luisa Velez começaram a se preocupar com a educação sexual que seria implantada nas escolas de seus filhos. A orientação proposta contrariava tudo o que haviam imaginado transmitir a seus filhos a respeito do amor, da sexualidade, da família e da vida. Confundia-se sexualidade com sexo, amor com sexo e alicerçava-se seu conteúdo exclusivamente no que denominavam "sexo seguro". O que queriam dizer com sexo seguro? Algo parecido com o que acontece por aqui. Fomenta-se, por um lado, a cultura da hipersexualização e da promiscuidade. Tenta-se, por outro, preservar os adolescentes de uma gravidez indesejada e da transmissão de DSTs com o uso dos preservativos. Ninguém, no entanto, se preocupa com as dramáticas consequências físicas, emocionais e afetivas provocadas pelo oba-oba sexual.

Esse casal não se limitou a lamentar, mas, com apoio de especialistas e, sobretudo, de outros pais de família, elaborou um Programa de Educação da Sexualidade para ser aplicado nas escolas. O programa espalhou-se por 18 países na América Latina, do Norte, Europa e nas Filipinas. Tem um slogan simples e direto: "Caráter forte, sexualidade inteligente." Ou seja, entende que, em primeiro lugar, a sexualidade é um componente fundamental da personalidade, um modo de ser, de se manifestar, de se comunicar com outros, de se expressar e de viver o amor humano.

A proposta do programa é ajudar os adolescentes a fortalecer o seu caráter, de tal forma que a inteligência e a vontade adquiram prioridade sobre os sentimentos. Os adolescentes são normalmente impulsivos, inseguros, não se conhecem bem, e são essas carências que os fazem tomar decisões equivocadas e correr riscos desnecessários, sobretudo ao iniciarem um relacionamento sexual muito precoce. O programa Protege tu Corazón já está no Brasil (www.protegetucorazon.com.br) e desenvolve um projeto piloto no Colégio Ranieri, em São Paulo.

A metodologia é interativa, moderna, com material audiovisual, dramatizações, discussões em grupo, exercícios escritos, etc. Com essa metodologia se pretende que o adolescente seja levado a refletir sobre suas escolhas, sobre seus sonhos. Apresenta uma característica importante, que é fomentar o diálogo entre pais e filhos e, acima de tudo, o programa tem uma norma: "Propor, e não impor." Faz pensar e aposta na liberdade.

Os adolescentes, frequentemente bombardeados pela banalização do sexo, surpreendem-se ao perceber uma outra forma, positiva e responsável, de entender a sexualidade. Mas os principais protagonistas dessa mudança são os próprios pais. O programa na escola é uma ajuda poderosa para os pais, mas não pretende nem substituí-los nem subestimá-los. Ele os apoia e oferece ferramentas concretas para facilitar a comunicação entre pais e filhos. É uma parceria interessante e os resultados me impressionaram.

A iniciação sexual precoce, o abuso sexual e a prostituição infantil são, de fato, o resultado da cultura da promiscuidade que está aí. Ainda pouco se fala do Brasil no exterior. E quando se fala, infelizmente, o noticiário se reduz às ações do crime organizado, aos escândalos envolvendo políticos e governantes, às queimadas na Amazônia e à miséria da nossa periferia. Limitam nossa cultura e nossa arte ao rebolado. É uma pena. O Brasil é, sem dúvida, muito mais que o país do gingado e do carnaval.

DOUTOR EM COMUNICAÇÃO, É PROFESSOR DE ÉTICA E DIRETOR DO MASTER EM JORNALISMO E-MAIL: DIFRANCO@IICS.ORG.BR 

Artigo Original: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100920/not_imp612432,0.php

Entrevista com Dora Porto na CBN

postado em 23 de set de 2010 10:57 por Gabriel Ulian Briganó

Entrevista realizada no dia 20/09/2010 (Segunda-Feira), na Rádio CBN, com a Dora Porto, representante do programa Protege tu Corazon no Brasil.

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