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Educar o caráter, Educar para amar

Artigo escrito por: Juan Francisco Vélez e Maria Luisa Estrada de 

Vélez 

Traduzido e adaptado por: Gabriel Ulian Briganó


Viver bem o amor e a sexualidade sem educar o caráter é praticamente impossível, por isso deve-se mudar o enfoque da educação dos jovens.

  

Os governos do mundo focam a solução dos problemas de saúde dando ênfase no uso de preservativos e anticoncepcionais. Fato que se torna cada vez mais freqüente. Dessa maneira, os resultados não são os esperados. As estatísticas refletem um aumento significativo de adolescentes grávidas, doenças sexualmente transmissíveis (DST) e rupturas matrimoniais. E esses não são os únicos efeitos. Existem outros que passam despercebidos, igualmente importantes. Um muito concreto é que a visão de sexualidade reduzida a “prevenção de doenças” geralmente confunde os adolescentes, porque este começa a crer que o amor é igual a sexo e a sentimento e isto o incapacita para amar e ser amado de verdade.

Qual é a estratégia mais eficaz? Um argumento muito utilizado para justificar o “sexo seguro” é que eles não são capazes de se segurar. Se generalizarmos este argumento, seria como afirmar que é melhor não animá-los a praticar, porque são fracos e não conseguem fazer grandes esforços. Já se o seu caráter for fortalecido, serão capazes de viver uma sexualidade inteligente.

Conhecer as carências típicas nos dá muitas luzes, porque apesar delas, os adolescentes são capazes de superar grandes desafios. Não podemos tratá-los como retardados mentais. São tão inteligentes quanto os adultos, mas necessitam de orientação e apoio para coroar esta etapa com a maturidade que a vida lhe pedirá daí para frente. Devemos ajudá-los a se conhecer, a escolher bem, a ser responsáveis, a traçar um futuro com metas ambiciosas e a ter disciplina para alcançá-las, a entender seu mundo emocional e aprender a controlar os “vai e vem” de sua afetividade. Todos são bons traços de caráter.

Carências típicas e como superá-las.

O adolescente não se conhece bem.

Cedo ou tarde, nós, seres humanos, fazemos perguntas sobre nossa existência: Quem sou eu? Para que vivo? O que se espera de mim? O que quero ser? Atualmente há um risco maior em deixar que os anos passem sem uma resposta satisfatória para estas questões. Por isto é conveniente fazê-lo durante esta etapa de sua adolescência, para começar a desenvolver o conhecimento de si mesmos. Entender que o ser humano possui cinco dimensões: física, emocional, social, racional e transcendente, o leva a apreciar mais a si mesmo e conseqüentemente apreciar e respeitar mais os outros. Entender o que significa ser pessoa os leva a exclamar admirados: “Não tinha me dado conta de quanto sou valioso”.

Não prevêem conseqüências.

Os adolescentes tendem muito a decidir de forma rápida sem analisar as possíveis conseqüências. Por isso é necessário ajudá-los de forma que tomem boas decisões.  Para descobrir que a melhor decisão é fazer o que melhor convém com relação às cinco dimensões, não somente com a que eu mais gosto.

Tem necessidade de ser aceito.

A necessidade de ser aceito, os faz vulneráveis as pressões dos grupos. Os amigos podem pressioná-los para beber, fumar, matar aulas, ter relações sexuais, deixar de estudar, colar em provas, vestir-se com determinado tipo de roupa, maltratar um colega, mentir, roubar e etc. E para ser amado e aceito, pode se sujeitar. É necessário que reconheça a ameaça que estas pressões representam para suas metas. Esse é o primeiro passo para enfrentar a defesa de seus próprios valores.

É impulsivo.

A impulsividade o move a agir mais pelo efeito imediato do que pelo longo prazo. Por isso educar a sexualidade inclui não só conhecer-se a si mesmo, mas também desenvolver o autocontrole, para que os sentimentos e emoções não confrontem os valores. O equilíbrio emocional se constrói usando a cabeça e o coração. Nas relações com os outros, se traduzirá em empatia para reconhecer e compreender os sentimentos dos demais.

Busca da gratificação imediata.

“Não se prive de...”, “aproveite o momento”, são mensagens que os adolescentes recebem da mídia, da moda, dos filmes e da internet, unidos ao despertar de seu desejo sexual, a curiosidade e a pressão dos amigos. Por isso temos que oferecer-lhes razões suficientemente poderosas para que se viva o autocontrole. Esta espera, nos estudos, na diversão, na sexualidade, precisa de motivos.

O amor verdadeiro é a ideia que mais os desafia. Todos sonham com o “foram felizes para sempre...” Controlar – voluntária e alegremente – as emoções sexuais por amor a outra pessoa e a si mesmo os prepara para este amor. É um hábito fortalecido, se há momentos de espera para comprar um par de sapatos, o celular desejado ou alcançar o sucesso em uma competição. Conseguir metas grandes implica em substituir a busca de gratificações imediatas por gratificações duradouras.

Confunde amor com sentimento.

Ao perguntar aos adolescentes, o que é amor? Eles respondem: “O amor é um sentimento muito profundo que sentimos por alguém e que pode desaparecera a qualquer momento...” O relacionam com sentimento. Custa-lhes descobrir que mais que sentir, o amor é fazer algo em favor do outro. O amor não é igual a sentimento, embora o sentimento esteja contido no amor. Eles manejam equações falsas sendo influenciados pelos meios de comunicação e o ambiente em geral. Não é estranho que tomem decisões erradas, e que estas os levem a profundas decepções.  O amor é buscar o bem do outro em suas cinco dimensões, e passa por cima de sentimentos ou dificuldades. Aprende-se desde pequenos com os pais, os irmãos, os amigos, conhecidos ou desconhecidos. Escutar alguém, explicar matemática ao amigo que não entende nada, acompanhar a avó que conta sempre a mesma história, ou dividir o pacote de doces com os irmãos. Com esforço para manter estes detalhes se aprende a arte de amar.

É uma educação diferente cujo resultado é inequívoco: generosidade + compreensão + paciência + carinho = amor. Tirá-los desta confusão é uma tarefa chave para os educadores. Em resumo, o que os adolescentes precisam é conhecer-se a si mesmo, aprender a resistir às pressões negativas e aceitar as positivas. Adquirir certa habilidade para manejar as emoções, diferenciar o amor verdadeiro da paixão, substituir gratificações imediatas por duradouras. Não desvirtuemos seus destinos com soluções aparentes que vão danificar toda sua pessoa, e que levam entre outros aspectos, conseqüências emocionais já comprovadas: medo do compromisso, sensação de terem sido usados, baixa auto-estima, relações fracassadas. [¹]Em três palavras: Deterioração do caráter.

Leis como a aprovada no estado americano de Nova Jersey, que prioriza a promoção da abstinência nos programas de educação sexual em colégios públicos e propõe repensar os materiais pedagógicos, afim de que seja sempre claro que não ter relações sexuais até o matrimônio é a medida mais eficaz e razoável contra gravidez imprevista e transmissão de DST´s. Ou a estratégia de prevenção ABC em Uganda, com ênfase na abstinência e na fidelidade que levou a uma diminuição significativa dos casos de AIDS [2] e a experiência do PROTEGE TU CORAZON durante treze anos, em contato direto com cerca de 100.000 adolescentes de vários países levam a concluir que a solução ótima é justamente a menos promovida: a educação que fortalece o caráter.

Estes enfoques educativos ensinam a respeitar e a valorizar a si mesmos e aos demais, a encontrar e a viver o amor verdadeiro, a ter metas e sonhos grandes na vida. Preservam a saúde física e emocional dos jovens, diga-se de passagem, diminuem o risco de contágio de mais de 25 DST´s, entre elas a AIDS. Em longo prazo, os adolescentes com estas características estão melhores preparados para construir matrimônios sólidos e duradouros, que contribuam com maior eficácia para a realização pessoal, dêem maior harmonia a sociedade e como se não fosse o suficiente, causam importantes benefícios econômicos. [3]

No caso do PTC, os adolescentes não só agradecem estas propostas exigentes, como também expressam o desejo de contagiar seus amigos, de multiplicar a mensagem que aprendem. Dizem que temos “tocado suas vidas” e aberto um novo horizonte. Que por acreditar neles tem sido dada a oportunidade de sonhar grande. A educação do caráter funciona sim. Toda civilização está construída sobre este cimento, mas atualmente estamos esquecendo e o risco seria perdê-la!

[1] Thomas Lickona, "The Neglected Heart: The emotional dangers of premature sexual involvement". ASK, South Dakota, 2000

[2] En el artículo: The White House Initiative to combate AIDS: Learning  from Uganda, de septiembre 29 de 2003, publicado por la Heritage Foundation,  estudios muestran que de 1991 a2001, las tasas de infección por VIH en Uganda declinaron de un 15% aun 5%. Incluso en mujeres embarazadas en Kampala, la capital de Uganda,la prevalencia del VIH decayó de aproximadamente un 30% a un 10% sobreel mismo período. Un 93% de los ugandeses han cambiado suscomportamientos sexuales para prevenir el SIDA. ¿Cómo lo hizo?Basándose  en datos recogidos en la década pasada, hay  muchaslecciones que podrían aprenderse de la estrategia ABC: 1) Loscomportamientos sexuales de alto riesgo pueden ser reemplazados porestilos de vida más sanos. 2) La abstinencia y la fidelidad marital sonlos factores más importantes a la hora de prevenir la expansión delSIDA. 3)Los condones no juegan el papel principal en la reducción delVIH/SIDA

[3] Ver Estudios de Patrick Fagan, Estimulando El Matrimonio y Desalentando El Divorcio, Marzo 26, 2001 (Backgrounder #1421) Heritage Foundation, Washington. The Effect of Marriage on Child Poverty, abril 15 de 2002. www.heritage.org

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